segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Um modelo para nossa fé


"Se vos não vos tornardes como crianças, não entrarão no Reino de Deus.”



Discípulos da Eucaristia,
Venham ouvir um traço encantador,
Que revela Jesus Hóstia
E me foi contado recentemente.

Na protestante Inglaterra,
Pregando, mesmo através dos campos,
Um santo e bom missionário
Reuniu as crianças.
É de Jesus no Tabernáculo
Que ele lhes falava, o coração comovido,
Jesus cativo, que um doce milagre
Sobre nossos altares conservou.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Os frutos da simplicidade

A simplicidade produz ainda outros frutos admiráveis.
Concede à alma dois bens excelentes, que, no dizer de Santa Teresa, são indispensáveis  àqueles que se iniciam na vida espiritual: a alegria e a liberdade de espírito.
A mais generosa das almas, quando não é simples, atormenta-se, agita-se e facilmente se desalenta. A própria generosidade muita vez é causa de escrúpulo e sob pretexto de delicadeza, ilude a consciência. “Estarei enganada? Ter-me há Deus perdoado? Será esse o meu dever? Estarei no bom caminho?” Continuamente, formula mil perguntas que a perturbam e desorientam. [...]

Outro efeito da simplicidade é fazer-nos sinceros, e mais ainda cortar pela raiz o mais temível dos males para o progresso da alma: a ilusão.
Referindo-se à ilusões, o Padre Faber, esse profundo psicólogo, depois de nos haver mostrado a extensão da ruína que causam no domínio da vida espiritual, declara que a simplicidade é o único remédio para esse mal terrível e universal.
As almas que mais que analisam não são as que melhor se conhecem bem, nem, principalmente, as que mais depressa se corrigem. O repetido exame de uma ferida, para observa-lhe a cura, acaba por piorá-la pela irritação.
Ao contrário, a alma que olha a Deus, prontamente, atinge ao conhecimento de si mesma e, melhor ainda, consegue renunciar-se inteiramente.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

O jogo esquerda-direita


Um Começo que Não Promete Grandes Coisas

Comecemos por um jogo falseado, ou melhor, pela realidade que se esconde sob aquela falsidade, ou ainda melhor, ou talvez irremediavelmente pior, comecemos pelo anúncio de trágicas conseqüências da falsificação tomada como critério de valor ou de verdade. E qual é essa falsificação? É o esquema, ou o jogo Esquerda-Direita. 
A origem desse binômio, como ninguém ignora, foi a divisão das poltronas no parlamento francês. Os termos que definiam bancadas e índoles partidárias subiram para o céu das essências  e passaram a designar certos arquétipos, ou, em linguagem mais aristotélica do que platônica, tornaram-se abstratos; mas ao mesmo tempo que perdiam densidade telúrica ganhavam estranhas energias. No princípio do século XX, com a explosão do “Affaire Dreyfus”, mais violenta do que a explosão de Krakatoa na Polinésia, os termos do binômio ganharam uma carga histórica imprevista. Mas é depois de 1930 que o jogo — falseado em suas regras — ganha um vigor que bem traduz o enfraquecimento da inteligência do século.

"Destruir a Missa"

Qual é a crise que estamos atravessando atualmente? Manifesta-se, no meu entender, sob quatro aspectos fundamentais para a Santa Igreja.
Manifesta-se, à primeira vista, acredito eu, e me parece que é um dos aspectos mais graves, porque, para mim, se se estuda a história da Igreja, dá-se conta de que a grande crise que atravessou o século XVI, crise espantosa, que arrebatou à Santa Igreja, milhões e milhões de almas, regiões inteiras, Estados na sua totalidade, esta crise foi, antes de tudo, uma crise do culto litúrgico; e que, se atualmente existem divisões entre aqueles que se dizem cristãos, há que se atribuir mais que a outras causas à forma de celebrar o culto litúrgico; e se os protestantes se separaram da Igreja, a causa principal é que os instigadores do protestantismo, como Lutero, disseram, desde o primeiro momento: “Se queremos destruir a Igreja temos que destruir a Santa Missa”. Esta foi a chave de Lutero.
Tinha-se dado conta de que, se chegasse a por as mãos na Santa Missa, se conseguisse reduzir o Sacrifício da Missa a uma pura refeição, a uma comemoração ou recordação, a uma significação da comunidade cristã, a uma rememoração ou memorial da Paixão de Nosso Senhor e, como consequência, que ficasse mais débil o mais sagrado que há na Igreja, o mais santo que nos legou Nosso Senhor, o mais sacrossanto, ele conseguiria destruir a Igreja. E certamente, conseguiu, por desgraça, arrebatar à Igreja nações inteiras, obrando dessa forma.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

XIV - OS CRAVOS

Avizinhamo-nos do desfecho.  Sustentado e quase carregado pelos soldados, Jesus galgou a montanha; antes de chegar ao cimo, um pouco à esquerda, fazem-no parar. Enquanto os algozes vão fazer os últimos preparos, estender a Cruz, preparar as cunhas para fixá-la no buraco cavado no próprio rochedo, aguçar os cravos e dispor tudo o mais, cumpre assegurar-se da Pessoa de Jesus.  Descem-nO a uma espécie de fossa, no fundo da qual há uma grande pedra, que se mostra ainda hoje, munida de dois orifícios por onde se passam as pernas do condenado.
Amarram-nas por debaixo, a fim de tornar impossível toda fuga. No estado em que se acha a Vítima, a precaução é inútil, mas persiste cruel. Do fundo dessa prisão improvisada, pode Jesus ouvir em cima, por sobre Sua cabeça, os preparativos, os gritos dos soldados, as blasfêmias dos dois salteadores que devem ser crucificados com Ele, e todo aquele vai-e-vem de gente que quer ver terminado aquilo o mais depressa possível. Em baixo é o redemoinho tumultuoso da multidão. Como o cimo do Calvário é pouco largo, o povo ficou no sopé.

Todo o vale regurgita, pois, de gente. O Calvário está rodeado daquela plebe que espera, que acha que espera demais, que chacoteia e se diverte. Circulam por entre ela os sacerdotes, fazendo de atarefados e de importantes. Vários dos principais vão até ao cimo, como que para inspecionar de mais perto o trabalho dos criados: outros espiam Jesus no fundo da fossa, e, se levanta a cabeça pesada, pode o Mestre ver por cima dEle aquelas caras escarninhas e rancorosas.
A meio caminho pouco mais ou menos do Calvário e do túmulo novo de José de Arimatéia, num recanto mais solitário do valado e frente para o Gólgota, há um grupo doloroso de mulheres de véu e que choram. No meio há uma mais nobre, mais aflita, que parece cercada das afeições e das simpatias respeitosas de todas: é Maria, a Mãe do Condenado. Stabant autem omnes noti ejus a longe. Erant autem ibi mulieres multae a longe (Lc 23, 40; Mat 23, 49).

Novena ao Anjo da Guarda

Primeiro dia:
Ó fidelíssimo executor das ordens de Deus, santíssimo Anjo, meu protetor, que desde o primeiro instante da minha existência, vela sempre com solicitude à guarda do meu corpo e da minha alma. Eu vos saúdo, e vos agradeço em união com todo o coro dos Anjos, que a bondade Divina comprometeu à Guarda dos homens.
Eu vos peço instantemente; redobre vossa atenção, para me preservar de toda queda nesta presente peregrinação, a fim de que minha alma se conserve sempre pura, tão claro que com vossa ajuda ela se tornará, sobre o efeito do Santo Batismo.

“Anjo de Deus, que é meu guarda,
Esclareça-me, guarde-me, guia-me, rege-me,
“Ó vós a quem fui confiado pela Divina            Misericórdia.”  Amém.

Segundo dia:
Ó meu companheiro amantíssimo, meu único amigo verdadeiro, meu Santo Anjo da Guarda, que em todos os tempos e lugares dá-me a honra de vossa venerável presença! Eu vos saúdo e vos agradeço, em união com todo o coro dos Arcanjos, encarregados por Deus de anunciar os eventos grandes e misteriosos.
Eu vos peço insistentemente; iluminai meu espírito para conhecer a Vontade Divina e dispõe meu coração para executá-la sempre perfeitamente, a fim de que, agindo sem cessar conforme a fé que professo, obtenha na outra vida a recompensa prometida aos verdadeiros fiéis.

“Anjo de Deus...”

Sermão das Sagrações Episcopais de 1988, Dom Lefebvre e Dom Mayer

Sermão histórico das Sagrações episcopais do ano 1988, com subtítulos em Português.
De 41 segundos até 7 minutos e 29 segundos: sermão de Dom Lefebvre com legenda em português.
De 7 minutos e 30 segundos até 8 minutos e 07 segundos: declaração de apoio de Dom António de Castro Mayer, Bispo emérito de Campos (Brasil).

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Da verdadeira e solida devoção

A palavra devoção, do latim, corresponde dedicação. Pessoa devota é a dedicada a Deus. Não há termo mais forte do que «dedicação» para indicar a disposição da alma a tudo fazer e sofrer pela pessoa a quem se dedica.

A dedicação ás criaturas (refiro-me á legitima e autorizada por Deus) tem necessariamente limites. A dedicação a Deus não os tem, nem os pode ter. Se tiver a mínima reserva, a mais leve exceção, não será mais dedicação. A verdadeira e solida devoção é a disposição da alma pela qual se está pronto a agir e sofrer em tudo, sem exceção nem reserva, ao bel-prazer de Deus. Tal disposição é o mais excelente dom do Espirito Santo. Nunca serão demais o ardor e a constância em pedi-la; ninguém deve ufanar-se de tê-la inteira e perfeita, porque pode sempre crescer, ou em si mesma, ou em seus efeitos.

Vemos, por esta definição, ser a devoção algo de interior, de muito íntimo, visto afetar o fundo da alma e o seu ponto mais espiritual: a inteligência e a vontade. A devoção não consiste no raciocínio, nem na imaginação ou na sensibilidade. Não somos devotos, por sermos capazes de bom raciocínio a respeito das coisas de Deus, por termos grandes ideias, belas imagens dos objetos espirituais  ou porque nos enternecemos algumas vezes até ás lagrimas.

Vemos ainda não ser a devoção coisa passageira, mas habitual, fixa, permanente, extensiva a todos os momentos da vida e reguladora de toda a conduta.

A devoção funda-se no principio de que Deus, sendo a única fonte e o único autor da santidade, a criatura racional deve em  tudo depender d’Ele e deixar-se inteiramente governar pelo espirito de Deus. A criatura deve sempre aderir a Deus do mais intimo do seu ser, atenta constantemente a ouvi-Lo em seu intimo, sempre fiel em realizar o que Ele pede a cada momento. Não podemos ser realmente devotos, se não formos almas interiores, dados ao recolhimento, habituados a entrarmos em nós mesmos, ou antes, a nunca nos dissiparmos, a possuirmos a nossa alma em paz.

A BOA VONTADE EM SI MESMA

Para se santificar, a alma só tem necessidade de boa vontade. Guardá-la intacta e desenvolvê-la sem cessar, tal deve ser o fim constante e único de sua vida. "A boa vontade, dizia santo Alberto Magno, supre tudo, está acima de tudo" (De adhaerendo Deo, cap. VI).

A boa vontade entrega o homem inteiro a Deus, por um ato muito simples de amor; abandona o passado à Sua misericórdia; confia o futuro à Sua bondade; e só reserva para si o presente para santificá-lo. A boa vontade é uma orientação, em tudo, do homem para seu Deus, uma coordenação de todas suas faculdades para Ele, uma restauração da harmonia entre a criatura e o Criador, uma volta amorosa do filho para seu Pai celeste.

Ela é uma resolução generosa da alma, de se consagrar a glória do divino Mestre e de procurar o bem do próximo na medida de suas forças. Ela é uma renúncia completa a tudo aquilo que está em desacordo com a ordem divina, um esquecimento inteiro e uma despreocupação constante de si mesmo.

Essa boa vontade conserva-se a mesma tanto na aridez e penúria como na consolação e abundância, na tribulação e inquietação como na paz e tranquilidade, nos embaraços e multiplicidade de ocupações como na doçura e gozos da oração. Seu ato é um movimento simples do coração que se entrega por completo, disposto a tudo aceitar, a tudo sofrer, desde que o divino beneplácito lhe seja manifestado.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

VIII - A COROA DE ESPINHOS

Jesus emite várias afirmações no decurso da Sua Paixão. Duas entre outras são nitidamente formuladas de modo que não deixam lugar a dúvida alguma. Ao Sumo Sacerdote que o intima a declarar se é o Filho de Deus, o Cristo bendito, o Messias esperado: Vos dicitis, quia ego sum. Dizeis bem, sim, Eu o sou. A Pilatos que Lhe pergunta visivelmente perturbado: És então verdadeiramente Rei? Responde Ele: Tu dicis, quia rex sum ego. Sim, dizes bem, Eu sou Rei. 



Sim, Ele é Deus!

Sim, Ele é Rei!



Morrerá por estas duas verdades!



Tão bem se havia apreendido o sentido dessa dupla afirmação, que é precisamente esse duplo caráter de Deus e de Rei que é feito objeto de todas as derrisões e zombarias no drama da Paixão. Efetivamente, quer essas zombarias venham do povo: Vamos! Se é o Filho de Deus que desça da cruz!; Quer venham dos sacerdotes: Vamos! Tu que destróis o Templo para levantar outro em três dias!; Quer caiam dos lábios de Herodes que o reveste da túnica branca, ou dos soldados: Salve, rei dos judeus!...; Essas zombarias tendem todas a ridicularizar o Deus e o Rei.


O Deus, em duas das Suas mais altas prerrogativas: conhecer o futuro e escapar à morte: Cristo, profetiza quem te bateu! Salvou os outros, não se pode salvar a si.
O Rei, na coroa irrisória que Lhe enterram na cabeça, e no próprio título que apõem ao topo da cruz.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Novena à Nossa Senhora Medianeira de todas as graças

Oração do 1º dia.

“Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, nós vos veneramos como Medianeira no mistério da Anunciação porque foi por vosso meio que Jesus veio ao mundo. Ó Senhora e Mãe Nossa, concedei-nos a graça... e mostrai que vos aprazeis de ser venerada sob o título de Medianeira de todas as graças. Amém!”
5 Ave-Marias
Em seguida:
V. Rogai por nós, Medianeira Nossa Poderosíssima.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oração

Senhor Jesus Cristo, Medianeiro nosso junto do Pai, que vos dignastes constituir a vossa Mãe, a santíssima Virgem Maria, também nossa Mãe e Medianeira junto a vós, concedei benigno que todo aquele que suplicante a vós se dirigir, se alegre de ter alcançado por meio dela tudo que pediu. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém!
(Quem tiver tempo poderá acrescentar o terço)

Oração do 2º dia.

“Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, nós vos veneramos como Medianeira no mistério da visitação, porque foi por vosso meio que Deus santificou a São João Batista, Ó Senhora e  Mãe Nossa, concedei-nos a graça... e mostrai que vos aprazeis de ser venerada sob o título de Medianeira de todas as graças. Amém!”
*Fazer todos como no primeiro dia.

Curtas aspirações

(Que se devem fazer durante as ações ordinárias de cada dia)

1- Logo que desperteis do sono, elevai vossa alma até Deus e dizei-lhe:Senhor, o vosso amor e nada mais. Quero viver sempre em vós e para vós.

2- Ao vestir-vos podeis dizer: Senhor, revesti a minha alma das vossas virtudes.

3- Ao despir-vos, ou quando mudais de roupa, podeis dizer: Ah! Senhor, despi minha alma de todos os vícios, e principalmente das inclinações que mais vos desagradam.

4- Antes de sairdes do vosso quarto, ou pelo menos, logo que vos for possível, ponde-vos de joelho e dizei: Este dia talvez será o último da vida, que Deus me concede para apagar os meus pecados e merecer o Céu. Ah! Senhor, quero consagrá-lo todo à vossa glória. De mim só nada posso fazer, mas tudo posso em vós e convosco. Meu Jesus, antes morrer que tornar a ofender-vos.


5- Ao enfeitar-vos e ao olhar-vos ao espelho, dizei: Tanto cuidado emprego para agradar aos homens, e tão pouco para agradar a Deus, que me criou com tanto amor, e me resgatou com seu sangue;

6- Ao sair de casa dizei: Santo Anjo da minha Guarda, guardai os meus olhos e todo o meu corpo e minha alma, para que me conserve fiel ao meu Deus.

7- Ao entrar na Igreja dizei: Ó minha alma, vais entrar na casa de Deus, onde tudo deve ser pureza e santidade: longe de mim todos os pensamentos da terra enquanto vou estar no palácio do Céu.

8- Ao assentar-vos à mesa dizei: Pai misericordioso, ao mesmo tempo que alimentais meu corpo, alimentai também a minha alma com a vossa graça.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Novena a Nossa Senhora de Fátima

Oração Inicial

Ó Santíssima Virgem Maria, que nas montanhas de Fátima revelastes aos três pastorinhos uma mensagem de paz e de esperança para toda a humanidade e, ao mesmo tempo, fizestes um chamado à conversão, à penitência e à oração, alcançai-nos a graça que insistentemente vos pedimos nessa novena (pedir a graça), se for para maior glória de Deus, honra vossa e salvação de nossas almas.
Que o Imaculado Coração de Maria seja o nosso refúgio e o caminho que nos conduz a Deus. Amém.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós.
1 Dia: Ó Santíssima Virgem de Fátima, que na Cova da Iria aparecestes a Lúcia, Jacinta e Francisco vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios de sol mais ardente, iluminai-nos com a Luz de Cristo, tornai a nossa alma mais pura do que a neve e livre de toda a mancha do pecado.

2 Dia: Ó Santíssima Virgem de Fátima, que anunciastes a vontade de Jesus estabelecer no mundo a devoção ao Vosso Imaculado Coração e que prometestes a salvação a quem abraçar essa devoção, levai-nos todos para o Céu e que lá sejamos como flores cultivadas por Vós, adornando o trono de Deus.

O amor-próprio e o amor de Deus

Dom Lourenço Fleichman, OSB

Eu gostaria de ter alguma profundidade e conhecimento para lhes falar sobre essa busca, sobre essa sede que nos devora, que nos faz procurar uma casa, um repouso, um lugar de delícias...onde moras, Senhor? Vinde e vede... Até a raposa tem sua toca, mas o Filho do Homem não tem onde repousar sua cabeça. Divina Cabeça, cansada e ferida, coroada de espinhos, fez-se o repouso dos homens.

Mas não é bem assim que acontece. Vamos em busca do repouso e achamos que o encontramos nas delícias do mundo e nas descobertas da razão. Nas consolações dos homens, no prazer que sentimos de estarmos na companhia dos nossos irmãos. Até a Escritura, falando profeticamente da Encarnação, nos diz que a Sabedoria Encarnada encontra suas delícias em estar com os filhos dos homens.

Na verdade, quando Nosso Senhor sente estas delícias, é porque sabe que seu Sangue não será derramado totalmente em vão, que alguns dos seus filhos o receberão e se tornarão Filhos de Deus. Mas, e nós? Vislumbramos o caminho, sabemos que Ele é a nossa Salvação, mas nos inclinamos com tanta precipitação sobre nós mesmos. O amor-próprio é a nossa perdição. Centralizamos nossas vidas em torno de nós mesmos, e passamos a tomar como critério dos nossos atos o que nos agrada ou o que pode nos gerar algum lucro. Dois amores construíram duas cidades: o amor de si, levado até o desprezo de Deus, a cidade terrena; o amor a Deus, levado até o desprezo de si, a cidade celeste.