quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O Estudo do Catecismo

Ao longo desses anos fomos acompanhando o crescimento de nossas crianças, na Capela Nossa Senhora da Conceição. A primeira turma de catecismo foi crescendo e o nível de estudo teve de acompanhar este crescimento. Daí termos elaborado uma apostila para as crianças mais velhas, que procuraremos editar em nossa página na Internet.

É preciso, talvez, explicar que as crianças devem começar a estudar o catecismo desde muito cedo. S. Pio X, no famoso decreto Quam Singulari, de 1910, estabelece como critério para a comunhão das crianças pequenas, que ela saiba distinguir entre pão e a Hóstia Consagrada, o Corpo de Cristo, presente realmente naquilo que, antes, era pão. Por isso o santo Papa foi chamado o Papa das crianças.

XVII - Oração para conseguir a humildade

Escrita por Santa Teresinha



Ó Jesus! Quando éreis viajante sobre a terra, dissestes: "Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis repouso para vossas almas." Ó poderoso Monarca dos Céus, sim, minha alma encontra repouso vendo-vos, revestido da forma e da natureza de escravo, humilhar-vos ao ponto de lavar os pés de vossos apóstolos. Lembro-me, então. das palavras que pronunciastes para ensinar-me a praticar a humildade: "Dei-vos o exemplo para que façais, também vós, o que fiz; o discípulo não é maior que o mestre...Se compreenderdes isto e o praticardes, sereis felizes." Senhor, compreendo essas palavras saídas do Vosso Coração doce e humilde; quero praticá-las com o auxílio da vossa graça.
Quero diminuir-me humildemente e submeter minha vontade à de minhas irmãs, em nada contradizendo e sem procurar saber se elas têm, sim ou não, o direito de me dar ordens.
Ninguém, ó meu Bem-Amado, tinha para convosco esse direito e, no entanto, obedecestes não só a Santa Virgem e a São José, mas também a vossos carrascos, Agora, é na Hóstia que vos vejo chegar ao cúmulo de vossos aniquilamentos.


Qual não é vossa humildade, ó divino Rei da Glória, submetendo-vos a todos os vossos sacerdotes, sem fazer qualquer distinção entre o que vos amam e os que são- infelizmente!- mornos ou frios no vosso serviço...Vós desceis do céu a seu chamado; quer adiantem, quer atrasem a hora do Santo Sacrifício, estais sempre pronto...

terça-feira, 30 de agosto de 2016

A bondade



A) Sua natureza

Ei-la explicada por dois grandes corações:

"A bondade, diz Lacordaire, é essa virtude que não consulta o interesse, que não espera pela ordem do dever, que não precisa ser solicitada, mas que se curva tanto mais para um objeto quanto mais pobre, mais miserável e mais abandonado ele é. Na bondade, além do dom de si mesmo, há uma maneira de se dar, um encanto que disfarça o benefício, uma transparência que permite ver o coração e amá-lo, um não sei que de simples, de doce, de amável, que atrai o homem todo e que ao próprio espetáculo do gênio prefere o espetáculo da bondade. A bondade é o que mais se assemelha a Deus e o que mais desarma os homens."

"A bondade, diz o Padre Faber, é o transbordamento de si nos outros; pode-se ser caridoso, compassivo, dedicado, sem ter esse perfume de amabilidade e de delicadeza que constitui a bondade."
É tão belo ser bom! O simples termo já é uma alegria, uma luz. Isso repousa, acalma a alma e lança o coração na alegria e no devotamento.

A bondade é um bálsamo que cura e um perfume que deleita. É a virtude sorridente e suave, que se exala da alma e atrai para ela. É tão bom saber que a gente pode aproximar-se de alguém sem receio, e, ao contrário, seria tão duro ter de se perguntar como se abeirar dele!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Como se conhece o amor próprio


Para que saibas quão grande é o amor próprio que te tens, examina tua alma. Perceberás então, as paixões com que mais se ocupa a tua vontade. (Pois não encontrarás nunca a tua vontade sem paixões). ­
Se ela ama ou deseja, ou está alegre ou triste, considera então, se a coisa amada ou desejada é virtude, e se teu amor está conforme aos preceitos divinos: ou se te alegras ou te entristeces com coisas que a Vontade Divina quer que te entristeçam ou alegrem; ou então, se a causa de todos estes sentimentos é o mundo e o apego às criaturas, por lidarmos com as coisas do mundo desnecessariamente, e não quanto era suficiente, nem como Deus quer.­­­
Se assim acontece, claro é que o amor próprio reina na tua vontade e é o seu motor em tudo.

Mas se vemos que a vontade se ocupa de coisas que dizem respeito às virtudes e que são da Vontade Divina, então devemos considerar ainda um ponto: se é a vontade de Deus que move nossa vontade ou se são nossas complacências e caprichos, que o fazem. ­­
Porque acontece muitas vezes que alguém, movido por não sei que capricho ou complacência, se dê a obras boas, como, por exemplo, às orações, jejuns, comunhões e outras obras santas. ­
Podemos nos examinar neste ponto, de duas maneiras:

A primeira será reparar se nos damos, nas diversas ocasiões que se apresentam, a todas as boas obras, indiferentemente.
 A segunda maneira será considerar se nos alegramos se tudo corre como queremos e nos inquietamos e lamentamos se sobrevém algum impedimento. ­­­­

Se virmos que é Deus o motivo de nossos atos, ainda devemos examinar qual o fim com que os fazemos. Se este for somente o agrado divino, tudo está bem. Mas nunca poderemos garantir que tudo fazemos para agradar a Deus. O amor próprio é muito sutil e se insinua até nos atos de virtude. ­ Quando se manifesta esta fera do amor próprio, devemos persegui-la, com ódio, não somente nas coisas grandes, mas também nas pequeninas, até matá-la. ­­Sempre se deve suspeitar das coisas ocultas. Por isso humilha-te bate ao teu peito, após uma obra boa, pedindo a Deus que te guarde do amor próprio e caso o tenhas, te perdoe.
Será bom que te dirijas ao Senhor de manhã e faças mentalmente o propósito de não ofendê-Lo mais, especialmente­ naquele dia, mas de fazer sempre a Sua vontade e com o fim de lhe agradar.
Pedirás por isso, muitas vezes, a Deus, que te socorra sempre e te proteja, afim que conheças e faças somente o que Lhe agrada e da maneira que Lhe agrada.
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Retirado do livro: O Combate Espiritual e o Caminho do Paraíso - Ven. Servo de Deus Lourenço Scúpoli - Edição de 1939


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Oração para pedir a Deus a graça da piedade



Oh Deus, que sois invisível a meus olhos, mas que a razão afirma presente em todo o meu ser, e que a fé torna sensível a meu coração; Deus bondoso, que não contente de me dar o tesouro da vida, me ensinaste como dela devia usar para ganhar a eterna felicidade; Deus generoso, prodigo de vós mesmo que, pela graça, infundis vossa própria vida na alma dos que vos imploram; dignai-Vos, em vossa misericórdia, despertar em mim a consciência do que sois para mim e do que devo ser para vós, afim de que não me suceda atravessar, de olhos vendados e com as mãos vazias, o tempo de provação na terra; não permitais que jamais me deixe seduzir pelas vaidades enganadoras, pelos prazeres aviltantes, pelas riquezas falazes, pelas loucas ambições, e que nunca limite meus pensamentos e desejos aos acanhados horizontes deste mundo.

Imprimi antes em todo o meu ser o movimento de amor que cria a piedade, afim de que, transpondo os limites do visível, entre pela fé nas puras regiões do invisível, que vós encheis de vossa majestade e animais de vossa vida; fazei, Senhor, que meu espírito aí se ilumine pela contemplação das verdades eternas, que arda meu coração em puras chamas ao contato do impetuoso braseiro do vosso santo amor, que minha vontade sorva indomáveis energias no infinito reservatório de vossa onipotência.

E, sem perder as alegrias desta íntima união convosco produzida pela oração, voltarei, transfigurado, à tarefa que me é imposta; melhor me aplicarei a meus deveres de estado, serei mais paciente e benévolo para com meus semelhantes, mais resignado na dor, mais zeloso da vossa glória.
Assim aprenda o mundo, oh bom e amado Senhor, por meu exemplo, que não só cumulais de felicidade aos que vos amam, mas sobretudo que a prática da piedade torna melhor, que o cristão fiel é um eleito na eternidade na proporção em que no tempo se faz mais verdadeiramente homem, e que, portanto, em vós, oh meu Deus, é que devemos procurar a graça de nos aperfeiçoar e tornar sempre mais uteis ao próximo.
Amém!


(Pe Guibert, a piedade)

terça-feira, 23 de agosto de 2016

As orações jaculatórias


Há duas práticas muito conhecidas de todas as almas piedosas, e eu te convido meu caro Theotimo, a que te familiarizes com elas; são: primeiro a comunhão espiritual de que te falarei no capitulo seguinte, e depois o hábito de elevar a miúde o coração a Deus por aquilo que se chamam “orações jaculatórias”. É coisa certa que poucas práticas contribuem tanto como estas duas para tornar uma alma unida a Deus e habitualmente recolhida. Começa por te acostumares a ver sempre a Deus presente diante de ti, e a entreteres-te familiarmente com ele como com o melhor amigo. Abre-lhe o coração, fala-lhe de todos os teus dissabores, de tuas alegrias, de teus temores. 
Para isto não tens necessidade de  ir procurar longe: ao pé de ti o tens sempre: se trabalhas, se andas, se estás sentado, ele nem um instante te deixa; se dormes, ele coloca-se a teu lado, assenta-se de alguma sorte em teu travesseiro, para melhor velar sobre ti.

Dize-lhe muitas vezes: “Oh meu Deus! amo-vos de todo o meu coração.” Sabe aproveitar-te de tudo para elevar tua alma a esse bom Pai e te excitarás ao seu amor. Quando, por exemplo, se te oferece uma bela campina, um sítio agradável, dize: “Meu Deus, como vossas obras são belas!”, ou antes: “Senhor, as vossas obras têm tanta beleza; que deveis ser vós mesmo?!” à vista de um castelo, de um magnifico palácio, dize: “Ai!  Nestes palácios não é que ordinariamente se acha a verdadeira felicidade; essa só habita no coração dos que vos amam, ó meu Deus!” ou então: “O que são estes palácios brilhantes de ouro e pedrarias em comparação do Céu? Oh meu Deus, dai-me o vosso paraíso.” Quando diante de ti se fala de riquezas, glórias honras, dize: “Oh Deus meu! vós só me bastais; sois todo o meu bem e toda a minha glória”. Se vês um pobre pecador que ofende a Deus, dize: “Oh Jesus, tende piedade deste homem”. Em seguida tornando a ti mesmo, dize: “Ai! eu ainda faria pior, se me abandonásseis á minha fraqueza. Bendita seja a vossa misericórdia.” Quando acontece alguma desgraça, ou alguma coisa que te aflige, dize: “Meu doce Jesus, vinde tomar parte na minha dor e aliviar-me, vós bem vedes quanto sofro”. Assim também quando estás na alegria convida Nosso Senhor a vir partilhar contigo teu contentamento. 

Exemplos destes poderia eu multiplica-los até o infinito, mas se tu amas a Jesus não é preciso estar a sugerir-te o que lhe deves dizer: teu coração saberá inspirar-te. Mas é particularmente quando cometeste alguma falta que é preciso elevar o coração a Deus afim de evitar a perturbação e desassossego que só do inferno é que vem. Lança-te com toda a simplicidade aos pés de Jesus, confessa-lhe a tua falta com a mesma candura que um menino confessa à sua mãe e dize-lhe: “Eis, ó terno Mestre! ó meu melhor amigo! eis do que eu sou capaz: prometo-vos ser-vos fiel, e a cada instante vos ofendo. Ah! perdoai-me ainda esta falta, porque eu me arrependo dela e vos amo, e vinde em meu socorro afim que doravante não vos cause outro desgosto”. Depois desta curta oração conserva-te em paz como se não houveras pecado. Se cem vezes deves repetir a mesma súplica, humilha-te, conforma-te e dize sempre: “Meu Jesus, apesar de minhas quedas continuas não quero cessar de amar-vos e de ter confiança em vós; sim, sim, meu Deus, eu vos amo.


(As chamas do amor de Jesus, ou provas do ardente amor que Jesus nos tem testemunhado na obra da nossa redenção, Abade D. Pinnard) 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Das grandezas da Mãe de Deus


O servo - Quaisquer sentimentos que de Vós procedam Ó Virgem Santa não se compararão jamais às vossas grandezas que muito acima se acha de todas as nossas concepções. Para que de vós dignamente se fale, fora mister compreender o que há de maior aos pés de Deus, em graças, em perfeições, em poder e em glória! "De vós é que nasceu Jesus!" Se o Evangelho, ao nos ensinar esta verdade, não se estende em demasia acerca dos vossos louvores, é porque essas palavras bastam para fundamento de todos os elogios que vos possa tecer. "De vós, Senhora, nasceu Jesus!" A vossa dignidade de Mãe de Deus não é nada menos que uma espécie de afinidade com o soberano Ser.  O efeito da maternidade divina é aproximar -vos o mais possível da Divindade.
Essa dignidade fez que contratásseis com Deus uma aliança singular em virtude da qual vos tornartes Filha do Eterno Pai, a Mãe do Filho e a Esposa do Espírito Santo, por uma admirável maneira somente própria de Vós.  Em virtude dessa aliança sois em verdade a Rainha do Universo e a Rainha dos céus! Dizer que "Jesus nasceu de Maria" quer dizer que acima de Maria só se vê Deus. Oh Virgem Mãe, o Anjo que ultrapasse os outros Anjos em Graças de perfeições não poderá estar acima do plano dos vossos servos, tamanha a distância entre Vós e os Anjos!

Eu meço a vossa grandeza pela grandeza do vosso filho, a refletir-se necessariamente sobre Vós mesma. Conhece-se a mãe pela excelência do Filho. Compreendo sem esforço que a augusta qualidade de Mãe de Deus é a fonte das Graças de que Deus vos acoberta de todas as prerrogativas com que Deus se apraz em distinguir-vos.Em virtude ainda dessa qualidade, exerceis uma espécie de domínio sobre todos os tesouros das Graças que Jesus distribui, bem como adquiristes absoluto poder junto ao filho de Deus.
Compreendo como certas leis gerais, que são punições do pecado original, não tenham cabimento em se tratando da Mãe de Deus. Porquanto,a amabilissima mãe do meu Deus fora expressamente eleita para essa altíssima prerrogativa.

E mais, entendo agora que, pelo fato de terdes dado a Deus aquela Vida pela qual fomos resgatados, bem mereceis o título de "Mediadora da Salvação", sem sacrifício, todavia, da qualidade de única mediação, no seu sentido próprio.Como, porém, entender toda eminência de vossa dignidade? Ai! é tudo tão grande em se tratando da Mãe de Deus que os próprios Serafins se contentam em admirá-la. Vós mesma, Senhora, em poucas palavras resumistes na casa de vossa prima Isabel tudo o que Deus vos fizera: "O Todo-Poderoso fez grandes coisas em meu favor"

E a igreja, apesar do amor que vos dedica e do zelo pela vossa glória, constrangida está a confessar quando considera que  "em vosso seio trouxestes o que os céus não podem conter” que não sabe que expressões empregar para publicar os vossos louvores.
Oh! Mãe sublime do Meu Deus, em vossa presença, até o fundo da alma me vibra a mais profunda admiração! Em face das grandezas que considero em Vós, Senhora, presa me sinto de um temor sagrado e de um respeito que me curva, aniquilado, aos vossos pés!

(Imitação de Maria, 1938, por um religioso anônimo, livro IV, cap I)



Da submissão à vontade de Deus

[...] De resto, não há nada tão verdadeiro como o que vos vou dizer: tanta submissão temos à vontade de Deus, tanta condescendência tem ele para com as nossas vontades. Parece que, desde que a gente se apega unicamente a lhe obedecer, ele próprio só cuida de nos satisfazer: não só ouve as nossas preces, mas até as previne; vai buscar até no fundo do coração aqueIes mesmos desejos que a gente trata de sufocar para lhe aprazer, e os realiza, cumula-os, excede-os todos.
Enfim a ventura daquele cuja vontade é submissa à vontade de Deus é uma ventura constante, inalterável, eterna. Temor algum lhe perturba a felicidade, porque acidente algum a pode destruir. Eu o represento como um homem sentado num rochedo no meio do oceano: vê virem a ele as mais furiosas vagas sem ficar atemorizado, acha prazer em considera-las e conta-las, à medida que elas se lhe veem quebrar aos pés; quer o mar esteja calmo ou agitado, quer o vento empurre as ondas para um lado ou para outro, ele fica igualmente imóvel, porque o lugar em que se encontra é firme e inabalável.
Vem dai essa paz, essa calma, esse semblante sempre sereno, esse ânimo sempre igual que notamos nos verdadeiros servos de Deus. Que razão não tendes, almas santas, de ser sem inquietações? achastes na vontade do vosso Deus um  retiro inacessível a todas as desditas da vida; elevaste-vos muito acima da região das tempestades: não há dardo que possa chegar até lá. Não podeis temer nem os homens nem os demônios. Façam o que fizerem, suceda o que suceder, sereis sempre felizes, ou então o próprio Deus deixará de sê-lo.


Resta ver como é que poderemos atingir essa venturosa submissão. Isto só se pode fazer, senhores, pela experiência frequente dessa virtude; e por isto que as grandes ocasiões de praticá-las são raras, todo o segredo consiste em aproveitar as pequenas, que são diárias, e cujo bom uso em breve nos porá em estado de sustentar os maiores revezes sem sermos abalados.

sábado, 20 de agosto de 2016

Do amor puro



Amor puro é amor de Deus sem mescla de amor próprio. Assim, todo ato de amor produzido por motivo, quer da perfeição de Deus, quer da esperança, quer do reconhecimento, será puro desde que não seja eivado de amor próprio.

Só Deus sabe se O amamos sincera e puramente. Deliberou que a tal respeito nenhuma certeza tivéssemos, e isto para o nosso bem, afim de nos conservarmos humildes e confiantes n'Ele. Que é, porém, o amor próprio? É o amor de nós mesmos, um amor que visa a nós e além de nós não vai, um amor cujo verdadeiro fim não é Deus. Existe nas coisas espirituais quando amamos a virtude, os dons de Deus, a santidade de Deus e o próprio Deus em relação a nós, pelo gosto que nisso temos, pelo proveito que daí auferimos: em suma, quando nos constituímos o centro desses afetos e dos respectivos alvos.  Se este amor nos induz a buscar e desejar coisas proibidas, torna-se pecado mortal; mas não passa de pecado venial ou mera imperfeição, quando recai sobre objetos realmente bons e santos, dando sempre a Deus a preferência que lhe é devida, porque a desordem não está, então, no fundamento e na essência do nosso amor, senão na maneira pela qual amamos.
O amor de Deus é sempre infinitamente puro em sua origem, que é o próprio Deus. É puro, embora em graus diferentes, nos anjos e nos bem-aventurados.


Não padece dúvida que o amor próprio jamais poderá ter entrada no céu; faz-se mister que das suas mínimas máculas se expurgue e purifique o coração, quer nesta vida, quer no purgatório.
Como a marcha ordinária da graça é atrair-nos a Deus por uma certa doçura e gosto sensível, o santo amor nos principiantes é sempre eivado de amor próprio e Deus não se ofende com essa mácula, que é consequência necessária da nossa miséria. Serve-se mesmo do amor próprio para nos desapegar das coisas da terra e nos dar gosto pelas celestes; serve -se dele para nos obrigar a realizar no começo uma porção de sacrifícios que, se o não tivéssemos, deixaríamos de fazer. Sem dúvida, é o amor de Deus que nos leva a esses sacrifícios e desapegos, bem como a prática da mortificação e oração, mas se o amor próprio não encontrasse aí alimento algum, se isso não lhe parecesse delicioso e superior a todos os prazeres da terra, nunca abraçaríamos a vida interior.


O abandono é o delicioso fruto do amor


Existe, aqui nesta terra,
Uma árvore excelente:
Sua raiz – que mistério! –
Se encontra, porém, no céu.
Debaixo de sua sombra,
Nada é capaz de ferir.
Sem medo da tempestade,
Lá se pode repousar.
Amor é o nome que tem
Essa árvore inefável,
E seu fruto delicioso
Leva o nome de abandono.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Quaresma de São Miguel Arcanjo

No dia 15 de agosto, Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, inicia-se um tempo devocional chamado "Quaresma de São Miguel Arcanjo". É um período de 40 dias (excluídos, portanto, os domingos) que vai até 29 de setembro.

A origem dessa devoção está ligada à vida de intensa penitência de São Francisco de Assis. Quando ele se converteu, entrou para a Ordem dos Penitentes, que eram pessoas que faziam penitências públicas. Um dos vários períodos especiais em que Francisco se mortificava era justamente os quarenta dias anteriores à festa de São Miguel Arcanjo. Foi durante esse tempo, a propósito, que ele, já no fim de sua vida, recebeu de Deus os santos estigmas.
Como se vive a Quaresma?

Providenciar um altar para São Miguel com uma imagem ou uma estampa.
Todos os dias da quaresma de São Miguel:

Acender uma vela benta;Oferecer uma penitência;Fazer o sinal da cruz.
Rezar a oração inicial;Rezar a ladainha de São Miguel;Rezar a jaculatória.

Oração Inicial:

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demônio! Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos; e vós Príncipe da Milícia Celeste, pela virtude Divina, precipitai ao inferno a satanás e a todos os espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Oração para alcançar a graça de escolher um bom esposo

Ó meu amável Salvador, que me chamais para figurar, no matrimônio, vossa íntima e santa união com a Igreja, eu vos peço e suplico, dai-me um esposo segundo vosso coração, um esposo penetrado do vosso santo temor.  Se neste importante empreendimento não me ouvirdes, corro risco de me deixar iludir pelos sentidos e vistas inteiramente terrestres, para colher mais tarde os frutos amargos de minha temeridade. Sei que está na ordem de vossa Providência que escolha um esposo que possa manter-me decentemente na posição social em que nasci, mas sei também o quanto é fácil, sob este pretexto, deixar-me seduzir pelas inspirações do orgulho e da cobiça. Não desejo riquezas, nem grandezas, mas o que vos peço é um esposo cheio de piedade, filho fiel e obediente da Igreja.
Ó bom Jesus, dai-me um esposo qual o pediu a jovem Sara, com a intenção íntima de vos servir e honrar com ele, um esposo qual o mereceu alcançar vossa divina Mãe e com o qual deu na terra o exemplo de todas as virtudes, que são o mais belo ornato do estado matrimonial. Fazei afinal, ó meu Deus, depois que vossa misericórdia me fizer encontrar um esposo segundo vosso coração, que eu mesma seja para ele, até ao último suspiro, pela minha piedade, meu amor, minha modéstia, minha submissão, minha doçura, em tudo, uma companheira para a qual ele possa olhar com mais estima que para todas as preciosidades da terra, e fazei que, depois de nos termos amado neste mundo com amor puro e santo, mereçamos ainda nos amar e amar a vós na eternidade. Amém! 

O Pequeno Missionário - Pe Guilherme Vaessen