sábado, 20 de agosto de 2016

O abandono é o delicioso fruto do amor


Existe, aqui nesta terra,
Uma árvore excelente:
Sua raiz – que mistério! –
Se encontra, porém, no céu.
Debaixo de sua sombra,
Nada é capaz de ferir.
Sem medo da tempestade,
Lá se pode repousar.
Amor é o nome que tem
Essa árvore inefável,
E seu fruto delicioso
Leva o nome de abandono.
Já desde aqui, nesta vida,
Seu fruto me dá prazer.
Minh’alma rejubila
Com seu divino perfume
Este fruto, quando o toco,
Deixa impressão de um tesouro.
Mas é quando à boca o levo
Que sinto maior doçura.
Ele me traz, neste mundo,
Um mar inteiro de paz.
Neste repouso profundo
Encontro descanso eterno.
Só o abandono me leva
A Teus braços, ó Jesus,
Só ele me faz viver
A vida de Teus eleitos.
A ti, pois, eu me abandono,
Ó meu Esposo divino
E nada mais ambiciono
Que a unção de Teu doce olhar.
Para Ti quero sorrir,
Dormindo em Teu Coração
E sempre Te repetir
Que Te amo muito, Senhor.
Assim como a margarida,
Com seu cálice dourado,
Eu também, pequena flor,
Abro as pétalas ao sol.
Meu doce sol da vida,
Amabilíssimo Rei,
É Tua pequena Hóstia,
Tão pequenina como eu…
Os reflexos luminosos
De sua chama celeste
Fazem nascer em minh’alma
Um Abandono perfeito.
As criaturas deste mundo
Poderão me abandonar,
Mas, junto a Ti, sem queixar-me,
Passo muito bem sem elas.
Mas se Tu me abandonares,
Ó meu Tesouro Divino,
Mesmo sem Tuas carícias,
Ainda quero sorrir.
Quero esperar em paz,
Doce Jesus, Tua volta,
Sem jamais interromper
Os meus cânticos de amor.
Não, nada mesmo me inquieta,
Nada pode perturbar-me.
Mais alto que a cotovia,
Minh’alma sabe voar.
Lá, bem acima das nuvens,
O céu fica sempre azul.
E aí se toca a fronteira
Do Reino do nosso Deus.
Espero em paz a glória
Da morada celestial,
Porque encontro na Hóstia
O doce fruto do Amor!


Santa Teresinha do Menino Jesus
31 de maio de 1897

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