terça-feira, 27 de setembro de 2016

Quem foi Gustavo Corção? Testemunho

Gustavo Corção e Dr Júlio Fleichaman

Júlio Fleichman


Não me foi possível escrever o Editorial deste número limitando-me a dizer alguma coisa a respeito de Gustavo Corção somente na perspectiva da nossa PERMANÊNCIA. Com uma vida de tal modo entrelaçada com a dele —mais do que uma honra, uma graça recebida com plena consciência disso — não poderia deixar de incluir neste número especial a ele dedicado, alguma coisa em meu nome a respeito do grande paladino da Igreja, instrumento de Deus, amigo e pai.


Muitos já falaram do escritor, do estilista, do combatente, tanto amigos como inimigos inclusive — o que talvez seja o pior — inimigos que minimizam o valor daquilo que fundamentalmente os separava. Raros dizem de Gustavo Corção alguma coisa sem se lembrarem de São Paulo e de suas palavras, “bonum certamen certavi...”. Todos associam a nobreza clássica de seu estilo a Machado de Assis. Uns lembram com razão a espantosa convergência, na mesma pessoa, de um raro e penetrante espírito científico e um ainda mais raro dom de verdadeiro poeta. Os amigos, estes sabem o quanto a fina sensibilidade de Gustavo Corção fazia-o notar delicadas nuances na complexa trama de relacionamentos pessoais. Direi eu também, espero, alguma coisa disso. Finalmente, alguns provaram a ponta de sua espada e dentre estes, houve quem dissesse dele: “um homem mau”.


Do ponto de vista que mais me impressionou quando, já há muito seu companheiro de trabalho, tomei consciência disso, gostaria de submeter à atenção de quem, por acaso, leia este artigo, que se dê conta da linhagem espiritual a que pertence Gustavo Corção, linhagem que atesta a presença de Deus ao longo da história, digamos, espiritual do Brasil. Este pobre grande povo que ainda é, em sua simplicidade fiel, mantém a seu modo uma fundamental atitude de piedade religiosa que as organizações episcopais se esforçam por erradicar ou transformar em algo parecido com as reivindicações sindicais. Nunca nos faltou algum representante dessa raça de soldado católico cuja fundamental característica é uma decidida atitude de servidor da Verdade e cuja qualidade fundamental é a força com que Deus o dotou, instrumento adequado para combater em favor desta Dama. Se o Brasil tem em seu passado grandes vultos de homens religiosos ligados, de algum modo, à Igreja e à fé — bispos, pregadores, escritores, músicos — não é nesses e sim em uma especial dinastia de combatentes católicos dotados de fina acuidade que me parece haver antepassados espirituais e antecedentes históricos de uma influência do gênero da que exerceu Gustavo Corção.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Vinde Espírito Santo



Foi uma surpresa para Rosa ver que era ela a única menina na igreja no dia  da Crisma. Havia, entretanto, dois garotinhos, e as três crianças  ajoelharam-se no santuário aos pés do Arcebispo de Lima. O sol inundava o pequeno templo, rebrilhando na mitra dourada do Arcebispo e arrancando cintilações do magnífico anel que ele usava na mão direita. Que dia maravilhoso aquele! E que pena que o povo de Quivi não o compreendesse.  Pelo direito, pensava Rosa, a igreja devia estar repleta.

O Arcebispo era de pequena estatura, delgado e contava cinqüenta e nove anos. Sentou-se numa cadeira em frente aos três pequerruchos ajoelhados e explicou o ato que ia realizar-se: O Espírito Santo, a terceira Pessoa  da Santíssima Trindade, ia descer em suas almas. Aí permaneceria  enquanto aquelas almas não ofendessem seriamente a Deus. E ficaria para  sempre, não ficaria?

- Para sempre, disseram os dois rapazinhos.

- Para sempre, eternamente, disse Rosa.

O Arcebispo sorriu, e o mesmo fez o padre Francisco Gonzales, que estava de pé ao lado deles, muito atento, revestido do hábito da Ordem dos mercedários. Então o Arcebispo rezou em latim, enquanto o padre Francisco foi a uma mesinha e trouxe um pratinho com óleo de oliva e bálsamo. Rosa ajoelhou-se perto do pratinho de óleo. Este santo óleo fora bento na  última quinta-feira santa para ser usado na administração do sacramento da Confirmação. Era o crisma. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

De que devemos renunciar a nós mesmos e imitar a Jesus Cristo. Levando a Cruz.

1-JESUS CRISTO. Filho, quanto mais conseguires sair de ti, tanto mais poderás chegar a mim. Assim como nada desejar de fora produz a paz interior, assim deixar-se internamente a si une a alma a Deus.Quero que aprendas a perfeita renúncia de ti na minha vontade, sem repugnância e sem queixa. Segue-me (Mat, IX,9);  eu sou o caminho, a verdade e a vida (João XIV,6).
Sem caminho não se anda; sem verdade não se conhece; sem vida não se vive. Eu sou o caminho que deves trilhar, a verdade que deves crer, a vida que deves esperar. Eu sou o caminho sem perigo, a verdade sem erro, a vida sem morte. Eu sou o caminho direito, a verdade suprema, a vida verdadeira, a vida bem aventurada, a vida incriada.
Se perseverares em meu caminho, conhecerás a verdade e a verdade te livrará (João VIII, 32) e alcançarás a vida eterna.

2-Se queres entrar na vida, guarda os mandamentos (Mt XIX, 17). Se queres conhecer a verdade, crê em mim. Se queres ser perfeito, vende tudo. (Mt XIX, 21). Se queres ser meu discípulo, renuncia a ti mesmo. Se queres possuir a vida bem aventurada, despreza a vida presente. Se queres ser exaltado no céu, humilha-te neste mundo. Se queres reinar comigo, carrega a Cruz; só os servos da Cruz encontram o caminho da bem aventurança e da luz verdadeira.

3- ALMA FIEL. Senhor Jesus, estreito é o vosso caminho e pelo mundo desprezado; dai-me a graça de Vos imitar no desprezo do mundo. Não é o servo melhor que o seu senhor, sem o discípulo acima do mestre. (Mt X, 24).
Exercite-se o vosso servo em imitar a vossa vida; que nela está a salvação e a verdadeira santidade. Tudo o que fora dela leio ou ouço não me consola nem satisfaz plenamente.

4-JESUS CRISTO. Filho, pois que lestes e sabes todas essas coisas, bem aventurado serás se as puseres em prática (João XIII,7).
Quem conhece meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele (João XIV, 21) e o farei assentar-se comigo no reino de meu Pai.

5-ALMA FIEL. Senhor Jesus, faça-se em mim segundo a vossa palavra e a vossa promessa; dai-me que o mereça. Recebi e recebi de vossas mãos a cruz; levá-la- ei até a morte como me impusestes.  Em verdade, é a cruz a vida de um religioso, mas cruz que leva ao paraíso. Começado está o caminho; já não é permitido voltar atrás e nem convém deixá-lo.

6-Vamos, irmãos, marchemos juntos; conosco irá Jesus. Por Jesus abraçamos esta cruz, por Jesus perseveramos nela.  Será nosso exílio Ele que é nosso chefe e guia. Eia, à nossa frente vai o nosso Rei que combaterá por nós. Sigamo-lo com coragem; e nada nos aterrorize; prontos estejamos para morrer na guerra como bravos e não empanemos a nossa glória com o labéu de haver fugido da cruz.

(Imitação de Cristo, livro III, cap LVI)

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Novena a Nossa Senhora das Dores


No livro Glórias de Maria, Santo Afonso Maria de Ligório nos conta as graças prometidas por Nosso Senhor Jesus Cristo aos devotos de Nossa Senhora das Dores.

Eis as Promessas:


       1ª) Esses devotos terão a graça de fazer verdadeira penitência por todos os seus pecados antes da morte;
       2ª) Jesus lhes imprimirá no coração a memória de sua Paixão dando-lhes depois um prêmio especial no céu;
       3ª) Ele guardá-los-á em todas as tribulações em que se acharem, especialmente na hora da morte;
       4ª) Por fim os deixará nas mãos de sua Mãe para que deles disponha a seu agrado, e lhes obtenha todos e quaisquer favores.




Oração a Nossa Senhora das Dores
Santo Afonso Maria de Ligório

     "Ó Mãe das Dores, Rainha dos mártires, que tanto chorastes vosso Filho morto para me salvar, alcançai-me uma verdadeira contrição dos meus pecados e uma sincera mudança de vida, com uma incessante e terna compaixão pelos sofrimentos de Jesus e pelos vossos.
     Enfim, ó minha Mãe, pela dor que experimentastes quando o vosso divino Filho, no meio de tantos tormentos, inclinando a cabeça, expirou a vossa vista sobre a cruz, eu vos suplico que me alcanceis uma boa morte. Por piedade, ó Advogada dos pecadores, não deixeis de amparar a minha alma na aflição e no combate da terrível passagem desta vida para a eternidade. E como é possível que nesse momento a palavra e a voz me faltem para pronunciar o vosso nome e o de Jesus, nomes que são toda a minha esperança, rogo-vos desde já a vosso Divino Filho e a Vós, que me socorrais nesta hora extrema, e assim direi: JESUS e MARIA, entrego-vos a minha alma."