domingo, 16 de outubro de 2016

São José e as almas puras


As almas puras são comparadas aos Anjos. A virtude da pureza é chamada, e com razão, virtude angélica. São José, mais elevado que os Anjos, concede esta graça especialíssima da virtude angélica aos seus devotos. Os grandes Santos que mais se distinguiram na prática da pureza foram devotos fervorosos do Santo Patriarca. São Luiz Gonzaga que a Santa Igreja denomina o angélico moço, teve uma devoção fervorosa a São José. O Santo Esposo da Imaculada: parecia lhe haver tocado com o seu lírio simbólico.
Santa Terezinha escreve: "Desde pequenina, aprendi a amar, a invocar a São José."

Como se deliciava na meditação dos encantos da vida da Sagrada Família em Nazaré! O Bem-aventurado Hermann José, da Ordem Premostratense, se distinguia por um amor ardente a São José. Meditava continuamente as virtudes do Santo Patriarca e procurava imitá-lo.
Um dia, numa destas aparições que sempre teve de Nossa Senhora, a Mãe de Deus lhe recomendou acrescentasse ao seu nome o nome de José. E Hermann o fez, cheio de alegria. Passou a assinar e chamar-se Hermann José. E assim é como todos o conhecem e invocam. Outra vez, Maria Santíssima lhe depositou nos braços o Menino Jesus, como o devia ter feito mil vezes em Belém e em Nazaré nos braços de São José. 

Um dos maiores devotos e apóstolos do culto de São José foi São Bernardino de Sena, religioso franciscano. Desde menino distinguiu-se por uma angélica pureza de costumes. Ninguém ousava dizer, perto dele, uma palavra menos honesta. E seus companheiros de estudos, ao avistá-lo, diziam: Calemo-nos; deixemos toda conversa livre, porque Bernardino aí vem! Toda a sua pessoa inspirava respeito e falava da virtude dos Anjos. O Santo atribuía todas as graças da sua vida, e sobretudo a pureza, a proteção de São José. O que são Bernardino escreveu e pregou sobre São José é, sem dúvida, o que melhor e o que mais se pode dizer da glória do Santo Esposo de Maria. Ele figura ao lado dos maiores e melhores apóstolos Josefinos.


O MAIOR DOS SANTOS

 Depois de Deus, Maria. Depois de Maria, José. É sem dúvida o maior dos santos, pois recebeu de Deus maiores graças e desempenhou a maior e mais sublime missão na terra. É conhecido o axioma tomista: — “Quando Deus escolhe alguém para uma missão o dispõe e prepara para que seja idôneo e a desempenhe dignamente”.(1) Ora, S. José fora escolhido para a mais sublime missão: — Pai adotivo do Filho de Deus humanado e esposo da Mãe de Deus. Poderia alguém na terra, depois de Maria excedê-lo na gloria da santidade? Quem teve maior e mais sublime missão a cumprir na terra? Só Maria Santíssima. Logo, depois de Maria na santidade, ninguém pode ser maior que o Santo Patriarca. É incontestavelmente o maior dos santos. “S. José se avantajou em santidade e glória, opina do grande teólogo Suarez, aos apóstolos e a S. João Batista, porque nada há na Escritura e na tradição que se oponha a esta Conclusão”. (2)

E a Igreja com Pio IX, na Encíclica Inclytum Patriarcham, de 7 de Julho de 1871, diz claramente: Tendo Deus escolhido o Bem-aventurado José entre todos os santos para ser verdadeiro e puríssimo esposo da Virgem Imaculada e Pai Putativo de seu Filho, comunicou-lhe em abundância graças singulares para desempenhar tão sublimes ofícios, graças singulares que o tornam também um santo entre todos singular. Esta é a razão primária da santidade eminente de S. José. E ainda Santo Tomás quem nos dá outra razão dá santidade eminente do santo esposo de Maria. Quanto mais alguma coisa se aproxima do seu princípio em qualquer gênero que seja, diz o Angélico, mais participa do efeito daquele princípio. Cristo é o princípio da graça, autoritariamente enquanto Deus, e. instrumentalmente enquanto homem.(3) Deste princípio deduz o Santo Doutor a santidade singular de Maria, maior que a de nenhum santo. Logo pela mesma razão se S. José depois de Maria foi o mais próximo de Jesus Cristo, recebeu dEle maior abundância de graças que os outros santos. E Suarez afirma que depois da Humanidade de Jesus e de Maria, S. José ocupa o terceiro lugar na abundância da graça divina pela sua familiaridade e contato com Jesus Cristo.(4) É, pois, o maior dos santos.

 (1) Sum. I. IIae. Qu.LXXXI. art.8
. (2) In III, Qu. XXX. Disp. 8.
 (3) Q. XXVII. art.5.
 (4) III. Q. XXIX. Disp. 8.


(São José, Monsenhor Ascânio Brandão)

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